Informações

Carabina/Fuzil

A carabina é definida pelo R 105 (Decreto nº 3665/200) como uma arma de fogo portátil semelhante a um fuzil, de dimensões reduzidas, de cano longo - embora relativamente menor que o do fuzil - com alma raiada. Na realidade brasileira, salvo para as forças de segurança e CACs, as carabinas são apenas as de calibre permitido e, no sistema de ferrolho mostradas acima, via de regra, em calibre 22 Long Rifle. São destinadas ao tiro ao alvo e, em especial, ao tiro informal e instrução. Devem, portanto, ser a porta de entrada de jovens e neófitos ao mundo do tiro, dado o mínimo recuo e baixo custo da munição do calibre 22LR, possibilitando a instrução da disciplina da segurança no estande, postura, respiração, puxada de gatilho, enfim, todos os fundamentos básicos do tiro sem sobressaltos. A ação de ferrolho, no qual são baseados, for desenvolvida pelos irmãos Mauser na virada do século XIX para o XX para o fuzil militar alemão que leva seu nome e, já naquela época, desenvolvidos modelos de treinamento civis e militares com base nessa ação, sendo ideal para o desenvolvimento de novos atiradores, conforme descrito acima. Digno de nota que, apesar do pequeno tamanho da munição 22LR, o alcance desta supera uma milha (1,6KM) em qualquer configuração, bem como tem o mesmo potencial para ferir com gravidade como qualquer outra arma de fogo, devendo sempre serem observadas as regras de segurança no tiro com tal tipo de arma. Texto Daniel Mendelski.

Espingarda

A espingarda por ser caracterizada como a arma de fogo portátil, de cano longo com alma lisa, isto é, não-raiada, ou seja, os seus cartuchos, via de regra, são carregados não com um projétil único, e sim com um conjunto de bagos de chumbo. Isso é assim pois o objetivo da espingarda é facilitar o acerto no alvo, já que um “enxame” de pequenos projéteis tem maior chance de acertar o alvo do que um único projétil. Vê-se, portanto, que a espingarda foi desenvolvida para a caça de animais ao vôo ou mesmo correndo (p. ex. uma lebre ou coelho). Na realidade brasileira, com a proibição da caça (salvo espécies exóticas) a espingarda fica relegada ao esporte (tiro ao prato em várias modalidades) e à defesa, nesse último caso empregando-se bagos maiores de chumbo. Também na caça de espécie exótica (javali), bagos maiores e especialmente projéteis singulares são empregados. Cabe destacar que os calibres das espingardas não são medidos em milímetros ou polegadas e sim num sistema único e anacrônico, consistente em derreter uma libra de chumbo (cerca de 454 gramas) num número determinado de esferas e, de acordo com o diâmetro de cada uma, fixar-se o calibre. Assim, o calibre 12 é obtido derretendo-se a libra de chumbo em 12 esferas, e cada uma dessas esferas, ao caber num terminado cano, será este de calibre 12, e assim por diante, motivo pelo qual o calibre 20 é menor que o 12 em diâmetro, e assim por diante. Digno de nota que, na realidade, o calibre 12 terá o diâmetro de 18,5mm e o calibre 20 tera 15,6mm. Ainda, o calibre 36 é assim chamado no Brasil por costume, pois de acordo com o sistema acima seria o “67”. Nos EUA, o calibre 36 é chamado de .410, pelo seu diâmetro aproximado em milésimos de polegada. Ainda, a nomenclatura certa é “calibre 12 (ou doze) sem ponto na frente (“.12” é errado), pois não se trata de medida imperial (de polegadas) e menos ainda 12mm, o qual seria, como vimos, não correspondente ao diâmetro verdadeiro. Por fim, caso usada a pronúncia anglo-saxônica para o 12 “gauge”, diz-se “gueije” e não “gáuge”, sendo apenas no português lusitano que se adaptou a nomenclatura para “gáugio”. Por fim, em nosso meio existem três sistemas mais populares de espingardas, consistentes nas de cano simples ou duplo (paralelas ou sobrepostas), de ação de repetição por trombone (“pump”) e semi-automáticas. As de cano simples ou duplo paralelas são, atualmente, armas destinadas ao uso mais singelo, de defesa e caça conjugadas, sendo certamente as mais comuns de encontramos no meio rural. Armas do tipo “pump” são as mais comuns para defesa rural ou urbana ou, mais raramente, para caça. As espingardas semi-automáticas também tem seu emprego na caça e também no esporte de tiro ao prato. Neste último, reinam as espingardas sobrepostas, por seu melhor balanço e capacidade de troca dos “choques” dos canos para diferentes distâncias do alvo. O “choque”, grosso modo, é um estreitamento próximo à saída do cano das espingardas, o qual, da mesma forma que um “regulador de jato d’água”, estreita a dispersão dos bagos de chumbo, tornando a arma capaz de, com melhor precisão, atingir alvos maiores. Ao contrário do entendimento popular, o “choque” não “aumenta o alcance” da espingarda, o qual permanece o mesmo; apenas a dispersão dos bagos de chumbo, numa determinada distância, é mais ou menos concentrado de acordo com o choque usado. As espingardas mais modernas possuem choques cambiáveis, os quais são rosqueados na ponta do cano, sendo internos ou externos, sendo estes últimos preferidos pelos atiradores pela mais fácil identificação e manuseio. Contudo, qualquer praticamente qualquer espingarda pode ser adquirida com choque fixo de fábrica, ou seja, o cano já construído com o estreitamento desejado pelo atirador. Texto Daniel Mendelski.

Pistola Colt

PISTOLAS SEMI-AUTOMÁTICAS: É a arma de fogo de porte, em geral semi-automática, cuja única câmara faz parte do corpo do cano e cujo carregador, quando em posição fixa, mantém os cartuchos em fila e os apresenta seqüencialmente para o carregamento inicial e após cada disparo. A pistola semi-automática surge na virada do século XIX para o século XX, quando as técnicas fabris e a pólvora sem fumaça (nitrocelulose) permitiram sua construção e operação de modo viável. Por volta de 1900, o austríaco Georg Luger é contratado pela DWM (Deutsche Waffen- und Munitionsfabriken Aktien-Gesellschaft) para tornar viável o projeto da pistola Borchardt, considerada a primeira pistola semi-automática funcional, a qual era extremamente canhestra. De seu trabalho patenteado em 1898, surgiu a Pistola “Parabellum”, marca comercial da DWM, que o mundo conheceria por “Pistola Luger”, de fama lendária e design único, embora de fabricação custosa e sistema de percussor lançado. Ainda, desenvolveu em 1904 o calibre militar mais difundido do mundo, o 9mm Parabellum ou Luger, para uso inicial em sua pistola. Do outro lado do mundo, o famoso inventor Jonh M. Browning desenvolvia o projeto de uma pistola que se tornaria a “Colt 1911” e, depois, já sob o patrocínio belga, o projeto da pistola Browning Hi-Power/GP35. A solução mecânica desta última, qual seja, o carregador bifilar de 13 munições calibre 9mm Luger, desenvolvido em 1926, tornar-se-ia modelo a ser seguido por todos fabricantes alguns anos depois. Contudo, a pistola semi-automática que maior legado deixaria após o último conflito mundial é a Walther P-38, substituta da lendária Luger no exercito alemão. A P-38 emprega dupla ação, com desarmador de cão (indicando a necessidade de uma forma segura de transportar a arma) e um sistema mais confiável de ciclar munições em tempo de guerra. Tanto assim que, ao final da 2ª Guerra, surgiram várias pistolas evocando tais características, tais como a Beretta 92 e a Smith e Wesson 39/59, sendo que esta última chega a copiar abertamente o ângulo de empunhadura da Walther. Somam elas, ainda, o carregador bifilar de grande capacidade da Hi-Power. Contudo, pode-se dizer que o ápice da evolução da pistola semi-automática deu-se a partir de 1986, com a difusão da pistola Glock, modelo G17, obra das pesquisas do austríaco Gaston Glock, o qual, após ouvir inúmeros usuários, conjugou um sistema único de segurança ao percussor lançado, dispensando travas externas e desarmadores de cão (segurança e facilidade de uso pelo operador), grande capacidade de disparos (dezessete) num calibre consagrado (9mm Luger) e materiais revolucionários (polímero), resultando em processos fabris que baixavam o custo de produção. Tais circunstâncias, somadas a uma confiabilidade lendária, com a superação de testes de funcionamento e segurança em inúmeros ambientes e condições hostis, levaram a adoção da Glock, em seus variados modelos, por forças militares e policiais de todo o mundo, mesmo em nações onde existem outras tradicionais fábricas de armamentos. Digno de nota que tais adoções têm-se mantido desde o lançamento da Glock, indicando que não se trata de um “modismo”, mas sim um produto que se tornou um verdadeiro paradigma. Tanto que quase todos os demais fabricantes de armas curtas passaram a produzir armas de materiais e/ou sistemas de gatilho similares ou, mesmo, cópias, gerando ações judiciais por parte da Glock para respeito aos registros de patente. Não por acaso, tudo isso tornou a “Glock” um ícone da cultura global, aparecendo em filmes, vídeo-games, músicas, roupas, enfim, todo item imaginável, de forma licenciada ou não, sempre como sinônimo de eficácia e, muitas, vezes, de glamour. Hoje, o futuro da pistola semi-automática parece apontar para uma evolução no material de confecção das armas, por exemplo, a cerâmica, ou sistemas modulares em sua confecção ou emprego, os quais ainda dependem de avaliação do mercado para se firmarem como alternativas efetivas ao que já existe. Texto Daniel Mendelski.

Revólver

O revólver é uma arma de fogo com funcionamento dito de repetição, pois depende da ação física do atirador sobre um componente do seu mecanismo, após a realização de cada disparo, decorrente da sua ação sobre o gatilho, para provocar um novo disparo. Credita-se seu desenvolvimento ao inventor norte-americano Samuel Colt, por volta de 1836 o qual inovou também nas técnicas fabris (produção em linha) e marketing. Naquela época, uma arma de porte capaz de efetuar mais de dois disparos sem ser recarregada era algo revolucionário, bem como poder ser fornecida em quantidades industriais e não artesanais. Atualmente, a maioria dos revólveres modernos é de dupla ação, ou seja, podem tanto ser engatilhados para um novo disparo (ação simples) quanto apenas apertar o gatilho para que o cão e tambor se movam e efetuem um disparo (ação dupla). Há revólveres, contudo, ditos “mochos”, apenas de ação dupla, com mecanismo interno ou cuja extremidade do cão não é aparente, para serem levados em bolsos, bolsas, etc. sem risco de engastalharem. O revólver, tal como o conhecemos hoje, com o tambor basculável lateralmente e retrocarga, de dupla ação, apareceu entre 1889-1905, sendo Colt (Model New Army) e Smith & Wesson (Model Hand Ejector) as principais marcas a lançarem e firmarem tal design. Digno de nota: o ápice da evolução do revólver como arma portátil (1889-1905) é o momento em que surgem as primeiras pistolas semi-automáticas funcionais, tais como a famosa criação do austríaco Georg Luger, por volta de 1900, e a Mauser C96 (de 1896), prosseguindo sua evolução até aquela que é considerada um marco na história das armas, ao conjugar materiais, técnicas fabris e sistemas de operação, pelas mãos do também austríaco Gaston Glock. Texto Daniel Mendelski.

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